sábado, 22 de novembro de 2025

Casa de Oração




Casa de Oração 

 

Texto Bíblico: Mt 21: 12-17 (ACF) 

¹² E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; 

¹³ E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. 

¹⁴ E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os. 

¹⁵ Vendo, então, os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, 

¹⁶ E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? 

¹⁷ E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.  

  

INTRODUÇÃO 

 

O texto escrito por Mateus, também está escrito em Mc 11.15-18 e Lc 19. 45,46 e Jo 2. 13-22. Em todos eles, observa-se a purificação do Templo e o zelo de Jesus diante do que estava acontecendo no Pátio dos Gentios (um átrio - lado exterior – onde podiam judeus e gentios do sexo masculino). 

O texto é claro em mostrar, de um lado, o comércio desenfreado no Templo (hieron, diferente de naos que significa santuário): barracas, cambistas, comércio de pombas; e do outro lado Jesus que, com autoridade, faz uma “limpeza”, expulsando os comerciantes e afirmando: A minha casa será chamada casa de oração (Is 56.7), mas vós a tem convertido em covil de ladrões (Jr 7.11), demonstrado que esse comportamento não era puramente emocional, no entanto, tinha com base as Sagradas Escrituras. 

O apóstolo João, descreve essa história mostrando que Jesus foi questionado pelos judeus, pedindo-lhe um sinal. Sinal este que está descrito em Jo. 2.19-22 onde o Templo descrito (naon)  não era o literal, e sim, Jesus falou do seu corpo.  

Esta mesma metáfora é descrita pelo Apóstolo Paulo em 1Co 6.19: Individualmente, nosso corpo é Templo e morada do Espírito Santo. 

Nossa pena, pois, meditará neste texto bíblico, tendo como aplicação, não um templo literal (lugar de adoração coletiva), mas o nosso próprio corpo. 

 

JESUS OBSERVADOR 

Algumas vezes, o Novo Testamento mostra Jesus observado pessoas e coisas: A oferta da viúva (Mc 12. 41-44), Natanael (Jo 1. 47-48), as multidões (Mt 9.36), vendo sem está perto (Mc 6.48 - os discípulos remando com dificuldade) etc.  

Em Mc 11.11, ao chegar em Jerusalém, Jesus dirigiu-se ao Templo e viu tudo ao redor. Nada escapa daquele que tem olhos como chama de fogo. (Ap. 1.14). Não há como se esconder de sua Presença. (Sl 139. 7-12). 

Logo, nós, como Templo do Espírito Santo somos observados por Jesus e nada está encoberto diante dele (Hb 4.13). 

 

JESUS QUE ENTRA NO TEMPLO 

 

Como dono da casa (minha casa), Jesus tem autoridade de entrar e sondar a casa (minha vida, meu coração) a qualquer momento. O que ele encontrará? 

 

Barracas armadas - Quantas vezes nosso coração abriga esse tipo de comércio: compra e venda de mercadorias. Compramos barato e vendemos caro, compramos fofoca e vendemos calúnia, vendemos nosso irmão, vendemos nossa liderança, vendemos mentiras, invejas, iras etc. É neste cenário que Jesus chega e, sem pedir licença, ele expulsa esses mercadores, derruba suas barracas, pois era uma profanação do sagrado. 

 

Mesa de Cambistas – Em termos aplicáveis ao nosso corpo, é o mercantilismo com Deus. Só faço algo, se Deus fizer. É a via de mão dupla, o toma-lá-dá-cá. Não faço nada de graça. No entanto, existe uma infinita diferença entre que somos e quem Deus é. Um simples exemplo: Somos barros, ele é o oleiro. O câmbio não pode ser utilizado em nosso relacionamento com Deus. Apenas rogamos dEle, suas Santas misericórdias em nossa vida. 

 

Vendedores de pombas – Olha a pomba!! Era o grito daquele que tinha uma pomba engaiolada para vendê-la. Como símbolo do Espírito Santo, a pomba deve estar solta, ter liberdade de atuar em nosso coração. Que nosso viver diário não seja apenas uma retórica moralista, um discurso santificado, e sim, uma vida regida pelo Consolador. Pomba solta é sinal do poder do alto em nossa vida.  

 

TEMPLO PURIFICADO 

 

Após a purificação, cegos e coxos foram curados. Infelizmente, ficamos tão acostumado como esse comércio em nosso coração, que a consequência é ficamos cegos e coxos espiritualmente. Não conseguimos ver o intangível, não conseguimos trabalhar para o Reino de Deus. 

Diante deste milagres, meninos começaram a dizer: Hosanas ao Filho de Davi. O que gerou uma indignação dos sacerdotes que foram reclamar com Jesus. Neste momento, Jesus citou o Sl. 8. 2,3. Nunca leste que dá boca dos pequeninos sai o perfeito louvor? 

Quando o templo é purificado, o verdadeiro culto acontece: Um culto de louvor e engrandecimento ao Deus vivo e verdadeiro. 


BIBLIOGRAFIA



Comentário de Mateus de Champlin

Comentário de Mateus de Matthew Henry

Comentário de Mateus de Hernandes Dias Lopes

Comentário de Mateus de A. T. Robertson

sábado, 2 de agosto de 2025

Juizes 14.4 Uma breve análise exégetica





Análise Comparativa de Versoes Bíblicas 


Essa breve análise será iniciada com a comparação entre versões bíblicas:

ACF:  Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel. 

NTLH:  O seu pai e a sua mãe não sabiam que era o Senhor Deus que estava orientando Sansão para fazer aquilo. Deus estava procurando uma oportunidade para atacar os filisteus, que naquele tempo dominavam o povo de Israel. 

NVT:  Seus pais não sabiam que o Senhor agindo no meio disso tudo, para criar uma oportunidade de agir contra os filisteus que, na época, dominavam Israel. 

NVI:  Seus pais não sabiam que isso vinha do Senhor, que buscava ocasião contra os filisteus; pois naquela época eles dominavam Israel. 

KJV:  But his father and his mother knew not that it was of the LORD, that he sought an occasion against the Philistines: for at that time the Philistines had dominion over Israel. 

BHS  וְאָבִיו וְאִמּוֹ לֹא יָדְעוּ כִּי מֵיְהוָה הִיא כִּי־תֹאֲנָה הוּא־מְבַקֵּשׁ מִפְּלִשְׁתִּים וּבָעֵת הַהִיא פְּלִשְׁתִּים מֹשְׁלִים בְּיִשְׂרָאֵל ׃ פ 


O escritor de Juízes não é identificado, porém devido a alguns traços históricos contidos no próprio livro como a destruição de Silo (Jz 18. 30,31), que ocorreu durante a juventude de Samuel (I Sm 4), a tradução judaica está inclinada a aceitar o profeta Samuel como aquele que foi usado por Deus para escrever o período católico dos juízes em uma Israel sem governo político e civel. 

Sendo assim,  o versículo 4 é um comentário editorial, ou seja, o ator deu sua opinião de um evento passado, que também pode ser chamado de narrador onisciente. Tal anotação é analisada de forma simplificada nos demais nos variados comentários bíblicos, enquanto outros eruditos simplesmente a ocultam: o que torna o trabalho do exegeta bem laborioso e muito desafiador.


Breve Contexto Histórico



Breve Análise de Jz 14.4


Na leitura deste versículo encontramos o termo "E isto vinha do SENHOR", suscitando a pergunta: Deus estaria indo de encontro a suas próprias normas? Estaria Deus abrindo uma exceção?

Sob hipótese alguma, o Altíssimo estaria abrindo quaisquer tipos de exceção (Ml 3:6). Pecado sempre será pecado, e isto foi afirmado na repreensão de Manoá. Nas penas do narrador onisciente, aquele termo fazia todo sentido, haja vista que a história daquele juiz já estava concluída e que diante das más ações humanas, podemos ver Deus como Dominador Supremo que muda os tempos (Dn 2. 21,22) e que estabelece reis (1 Rs 3:7). 

Em nenhum momento Deus está aceitando as más ações de Sansão, todavia, o propósito maior seria a nação de Israel e assim como ele fez com os irmãos de José, mais uma vez ele estaria transformando o mal em bem. (Gn 50:20). Tanto os irmãos de José quanto o próprio Sansão arcaram com suas consequências pecaminosas. É o poder diretivo do Senhor. Não apenas o poder diretivo do Senhor, mais o poder de Sua Graça Salvadora que manifestou-se em Sansão através da fé (Hb 11.32).

Concluímos que no período dos Juizes (e nos dias atuais), o livre arbítrio do homem (espiritualmente morto) sempre foi respeitado por Deus. No entanto, tudo o que acontecia, a vontade soberana de Deus era cumprida, de tal maneira que os homens eram culpados de suas tolices. As consequências são visíveis nas páginas bíblicas. 


Breve Bibliografia


O Antigo Testamento Interpretado de Champlin

Comentário Bíblico de Wiersbe

Juízes e Rute de Cundall & Morris

Comentário Bíblico de Beacon

Adam Clarke's Commentary on the Whole Bible (Judges)

Comentário Bíblico Popular de MacDonald

Comentário Bíblico Vida Nova de D. A. Carson

Comentário Bíblico de Moody

Comentário Bíblico Broadman


Esta pequena análise NÃO obedece as normas tecnico-cientificas da ABNT.













segunda-feira, 13 de março de 2023

O Cristianismo ajudou a mulher

 
 

  Você provavelmente ja viu alguma feminista ou militante de esquerda dizer que o cristianismo rebaixou a mulher e a prendeu numa posição menor, contudo, se formos olhar a história vemos que quem de fato ajudou a mulher foram os cristãos.

    O cristianismo eleva a mulher da posição servil que ela ocupou tanto no judaísmo quanto no paganismo, para sua verdadeira dignidade e importância moral; torna-a herdeira da mesma salvação que o homem, e abre-lhe um campo para as mais nobres e belas virtudes, sem afastá-la, à maneira dos modernos esquemas pseudo-filantrópicos de emancipação, fora de sua esfera apropriada de vida privada, doméstica vida, e assim despojando-a de seu mais belo ornamento e charme peculiar. 

   A Virgem Maria marca o ponto de virada na história do sexo feminino. Como mãe de Cristo, o segundo Adão, algumas tradições protestantes veem ela como corresponde de Eva e, no sentido espiritual, a mãe de todos os viventes. (1) 

   Nela, a "abençoada entre as mulheres", todo o sexo foi abençoado e a maldição removida que pairava sobre a era da queda. Ela não estava, de fato, livre do pecado real e nativo, como agora é ensinado, sem o menor fundamento nas Escrituras, pela igreja romana desde 8 de dezembro de 1854. Pelo contrário, como filha de Adão, ela precisava , como todos os homens, redenção e santificação por meio de Cristo, o único autor da santidade sem pecado, e ela mesma chama expressamente a Deus de seu Salvador. Mas na mãe e educadora do Salvador do mundo, sem dúvida, podemos e devemos reverenciar, embora não adorar, o modelo de virtude cristã feminina, de pureza, ternura, simplicidade, humildade, obediência perfeita a Deus e entrega sem reservas a Cristo.

    Ao lado dela temos um adorável grupo de discípulas e amigas ao redor do Senhor: Maria, a esposa de Clopas; Salomé, mãe de Tiago e João; Maria de Betânia, que estava sentada aos pés de Jesus; sua irmã ocupada e hospitaleira, Martha; Maria Madalena, a quem o Senhor curou de uma possessão demoníaca; a pecadora, que lavou os pés com suas lágrimas de penitência e os enxugou com os cabelos; e todas as mulheres nobres, que ministraram ao Filho do homem em sua pobreza terrena com os dons de seu amor, permaneceram por último ao redor de sua cruz e foram os primeiros em seu sepulcro aberto na manhã da ressurreição. 

   Doravante, encontramos a mulher não mais escrava do homem e instrumento da luxúria, mas o orgulho e a alegria de seu marido, a mãe carinhosa que ensina seus filhos à virtude e à piedade, o ornamento e o tesouro da família, a irmã fiel, a serva zelosa. da congregação em toda obra de caridade cristã, a irmã da misericórdia, a mártir com coragem sobre-humana, o anjo da guarda da paz, o exemplo de pureza, humildade, mansidão, paciência, amor e fidelidade até a morte. Essas mulheres eram desconhecidas antes. O pagão Libânio, o entusiástico elogio da antiga cultura grega, pronunciou um elogio involuntário ao cristianismo quando exclamou, ao olhar para a mãe de Crisóstomo: "Que mulheres os cristãos têm!" 

Referências:
 (1) Esse paralelo foi traçado pela primeira vez por Irineu, mas exagerado e abusado por pais posteriores a serviço da Mariolatria. 

Fonte: Schaff, Philip, History of the Christian Church , (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc.) 1997.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O que é Pericorese?



Etimologicamente, o termo Pericorese significa "girar", "rotação". Foi utilizado, teologicamente, por João Damasco (Sec. VIII) para descrever a doutrina da Trindade.
No contexto da Trindade, pericorese se aplica à natureza de Deus e é apenas sobre ele. Nenhum outro ser existente tem pericorese. Pessoas diferentes, por exemplo, podem compartilhar uma natureza comum, mas são indivíduos e seres distintos. Embora cada um dos membros da Trindade compartilhe a mesma natureza (divindade), existe dentro da Trindade uma qualidade única de habitação mútua de cada membro da Trindade, à medida que a distinção dos membros é mantida.
Hodge, em sua Teologia Sistemática, afirma que “Como a essência da Divindade é comum a várias pessoas, elas têm uma inteligência, vontade e poder comuns. Não há em Deus três inteligências, três vontades, três eficiências. Os três são um Deus e, portanto, têm uma mente e vontade. Esta união íntima era expressa na Igreja grega pela palavra perichoresis, que as palavras latinas inexistentia, habitatio e intercommunio eram usadas para explicar.
Popularmente falando, pericorese é uma palavra antiga usada para definir uma brincadeira de roda de crianças, a qual uma criança fica no meio e as outras giram ao seu redor, e depois de um certo momento, a criança que estava no meio sai do centro e volta para roda, sendo substituída por outra da roda que vai para o centro.
O mesmo se dá com a Trindade, ora Jesus está no centro e o Espirito Santo e Deus Pai estão ao redor lhe apoiando e assim sucessivamente.
Em cada momento um está no “centro da roda”.
Podemos assim dizer que, hoje é o Espirito Santo que está no centro até a Volta de Cristo.

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A pessoa do Espírito Santo

 


    


O Antigo Testamento manifestou claramente o Pai e, mais obscuramente, o Filho. O Novo Testamento deu a conhecer abertamente o Filho e, obscuramente, indicou a divindade do Espírito Santo, Hoje, o Espírito Santo habita entre nós e se dá mais claramente a conhecer. Porque teria sido inseguro pregar abertamente o Filho antes de ser reconhecida a divindade do Pai, ou antes de ser reconhecida a divindade do Filho, impor-se, por assim dizer, a do Espírito Santo. Gregório de Nazianzo (329-389).

segunda-feira, 9 de março de 2020

Quem são os “cães” em Ap 22.15?



Fomos interrogados se os “cães” de Apocalipse 22.15 são os filhos de Cão (Cam). Segue-se uma análise teológica e exegética:

“Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.” (Ap 22.15 – Almeida Corrigida Fiel ACF)
ἔξω οἱ κύνες καὶ οἱ φάρμακοι καὶ οἱ πόρνοι καὶ οἱ φονεῖς καὶ οἱ εἰδωλολάτραι καὶ πᾶς φιλῶν καὶ ποιῶν ψεῦδος. (SBL Grego do Novo Testamento 2010).

Análise Bíblica

O texto de Apocalipse 22.15 se aproxima do mesmo conteúdo em Apocalipse 21.8, ou seja, enumera as categorias de pessoas que ficarão de fora da Nova Jerusalém.
Tanto em um quanto no outro aparece 07 (sete) grupo de pessoas (com exceção dos “covardes”): esse numeral é comum na literatura apocalíptica – sete cartas, sete bem-aventuranças, sete igrejas, sete trombetas etc.).
Os grupos que aparecem em Ap. 21.8 são:
a)       Os infiéis
b)      Os corruptos
c)       Os assassinos
d)      Os imorais
e)       Os mágicos
f)       Os idólatras
g)      Os mentirosos

Numa simples comparação entre os dois textos percebe-se que os “cães” encaixam-se perfeitamente nos “infiéis”.
No entanto, prossigamos numa análise exegética da palavra “cães”:

Análise Exegética
No Antigo Testamento os cães não eram domesticados como os atuais. Eram animais selvagens e andavam em bandos (algumas regiões do planeta os cães ainda estão com essas características). Sendo assim, era criaturas perigosas (1Rs 14.11; 2 Rs 8.13).
Numa linguagem conotativa, observa-se:

Animal nojento (Sl 22.16);
Prostitutos (Dt 23.18);
Líderes Infiéis de Israel (Is 56. 10,11).

No contexto neotestamentário e na linguagem paulina, os cães se referem aos gentios. Paulo enfatizou que os oponentes e adversários da obra de Deus são como os cães. (Fp 3.2 – falsos mestres judaizantes).

Alinhando os textos bíblicos acima, percebemos que os cães de Ap 22.15, é uma expressão pejorativa voltada àquelas pessoas imorais, levianas e infidelidade, além de outras qualidades negativas.
Concluímos que os “cães” não se referem à descendência de Cam (Cão em Versões mais antigas), seja os cananeus ou outro galho da linhagem.






           

quinta-feira, 23 de junho de 2016

João Batista é Elias reencarnado??



Muitos espiritas ao tentarem mostrar que os Evangelhos apoiam a reencarnação tentam, de forma desesperada, mencionar o caso de Elias. Por isso resolvi escrever alguns motivos porque essa interpretação não é possível:

Primeiro, mesmo que pensassem que era o mesmo profeta em pessoa chamado de Elias não significa necessariamente que eles acreditavam que era reencarnação, pode significar que acreditavam que ele simplesmente veio assim como foi levado aos céus sem morrer. Alguém que não conhece o seu nascimento nem suas circunstâncias, principalmente porque ele passou a ficar no deserto, poderia muito bem supor isso (isso porque, essa confusão aconteceu até com Jesus). Ou seja, toda essa sua conclusão passa desse pressuposto, em vez de uma possível volta de Elias no mesmo corpo que teria sido arrebatado. Todo o texto mostra que as pessoas viam certo mistério em João, esse mistério, junto com seu ministério no deserto, pode ter feito as pessoas perguntarem isso. Só isso exclui uma interpretação reencarnacionista como necessária.

Veja que alguns diziam que Jesus era João Batista! Impossível pela idade deles estarem falando em uma reencarnação. No caso de João Batista estavam falando de alguém que, segundo a tradição judaica, não teria morrido.

Então temos que buscar mais pistas sobre o que eles acreditavam, em vez de simplesmente pressupor a qualquer custo que (1) Elias havia morrido depois de ter sido arrebatado e (2) eles estavam se referindo a uma reencarnação.

Segundo, Lucas, que foi contemporâneo dos apóstolos, aprendeu diretamente com eles e escreveu uma biografia de Jesus antes que estes morressem (o que significa que eles tiveram um bom tempo para autorizar a utilização dela) diz algo que pode ajudar na compreensão sobre o que eles acreditavam:
  • -> Herodes pensou que Jesus era João que tinha ressuscitado, ou Elias que tinha aparecido. 9, 7; Outros, (v. 8) um profeta antigo que tinha ressuscitado.
  •  Quando perguntaram sobre quem Jesus era, eles responderam: "João o Batista (impossível, como disse, que pensassem que era reencarnação nesse caso, por causa da idade de ambos); outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou." Lc 9, 19. Se com os outros profetas, que estavam mortos, eles acreditavam que teriam ressuscitado, imagine Elias, que foi arrebatado vivo?
  • João Batista já estava morto, mas Jesus ao conversar na transfiguração, conversou com Moisés e Elias. Ora, se eles acreditassem mesmo que João Batista era a reencarnação de Elias, é mais lógico supor que eles citariam o nome de "João" não "Elias".

Ou seja, nesses casos não há nenhuma referência a reencarnação, pelo contrário, há varias citações que argumentam de forma positiva para que ou eles pensavam que ou Elias tinha ressuscitado (caso acreditassem que ele tivesse morrido, o que é improvável) ou que Elias apareceu, tal como havia sumido, ou uma terceira opção, que citarei no final.

Isso é o que as pessoas diziam sobre Elias. Que ou havia aparecido, ou era algum dos profetas ressurretos.

E o que Jesus disse? "E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias" 1, 17.

Nesse caso temos duas opções: espírito reencarnado, ou uma linguagem familiar da tradição judaica para outra coisa.

Quanto isso, além de ser um indicativo contrário o fato de todos os outros falarem de uma "aparição" ou "ressurreição", nas Escrituras do AT, familiar a Jesus e aos judeus que ele se dirigia, ao falar de Elias, também não apoia a reencarnação. É só recordar que Eliseu, ao fazer um pedido a Elias, pediu a porção dobrada de seu espírito. Como Elias não morreu naquele momento, seria uma prova de desespero supor que seria algo como uma incorporação (o máximo que se pode chegar). Quando Eliseu voltou, as pessoas reconheceram que o espírito de Elias, que não tinha morrido, repousava sobre Eliseu.

Assim, uma vez que é impossível pelo texto uma reencarnação ou incorporação de Elias em Eliseu, fica óbvio que se refere ao espírito de profecia em Eliseu.

Juntando os textos que mostram que eles faziam referência a uma aparição e ressurreição, com o fato de que o texto nas Escrituras que falam de Elias se referem uma significação diferente para "espírito", então fica difícil não concluir que Jesus disse que João Batista iria no espírito e na virtude de Elias não no sentido de que era a reencarnação dele (até porque diz que "vai no espírito" não que "é o espírito"), mas que tinha, assim como Eliseu, o mesmo espírito profético.